Cheguei no estúdio e seria Phelipe o fotógrafo. Ele tentou me cumprimentar com um selinho, porém desviei meu rosto e sorri, fingindo que nada havia acontecido. Trocamos poucas palavras durante as fotos. No final, ele disse que passaria na minha sala para entregar o documento. Eu estava com o trabalho atrasado, então subi rápidamente para encarar o computador. Assim que entrei, meu celular tocava um tanto desesperado. Atendi.
- Alô? - Perguntei sem ver quem era.
- Gi... - Era a Lara. Parecia séria e cansada.
- Oi, amor! Aconteceu alguma coisa? - Perguntei preocupada. Era pra ela estar dormindo, aliás.
- Precisamos conversar! Recebi um recado da agência, mas não dá pra falar por telefone. Podemos nos encontrar à noite?
- Claro! - Provavelmente ela iria viajar. Coisa de modelo... - Vou chegar um pouco tarde, tô com o trabalho atrasado. Tudo bem?
Desligamos e resolvi não me preocupar. Deveria ser coisa boa, e o seu tom poderia ser só do cansaço.
Fiquei horas fazendo o editorial, até o Phe entrar. Bateu na porta pedindo licensa.
- Está aqui, Gi... - Entregou-me um envelope amarelado. O abri e ele realmente tinha assinado. Achei estranho. Como assim ele está entregando tudo na maior tranquilidade?
- Phe, eu sei que você não deixa as coisas assim... Baratas. O que tem por trás disso? Te conheço há um tempo, não tente me enganar.
- Calma! Calma... As pessoas mudam, Giovana. Outra coisa, não adiantará em nada ficar batendo de frente com você, ou adianta?
- Tem como sair da minha sala? Tenho muito trabalho por hoje.
Retirou-se com um sorriso confiante nos lábios. Liguei para o advogado, pedindo para vir e pegar o documento. Logo o mesmo passaria por aqui.
Almocei na cafeteria e me tranquei na sala novamente. Estava um tanto ansiosa para chegar em casa e ver o que a Lara queria.
Fui a última a sair da redação. O corredor e a cafeteria eram as únicas coisas do andar de cima que estavam acesas. Pensei em passar nos estúdios, ver quem estava lá, mas estava tarde e queria logo encontrar a Lara. O estacionamento estava praticamente vazio. A luminosidade era pouca e, por precaução, com pressa entrei no carro.
O trânsito estava horrível, e aquilo me estressava. Liguei o rádio, na tentativa de me acalmar, mas só piorou! Quando finalmente cheguei, encontrei a recepção cheia. Vários fotógrafos cercando alguma mulher, não pude ver quem era. Repetiam um nome e faziam várias perguntas, porém não também não reconheci por conta do barulho. Entrei no elevador, e apertei o 13º. Pelo menos ali eu estava sozinha. Abri meu blazer e alguns botões da minha camisa. Foi um dia terrível!
Abri a porta e encontrei Lara deitada na cama, assistindo à televisão. Joguei minhas bolsa e meu blazer no sofá, indo em direção à cama.
- Amor... - Suspirei. Deitei em seu colo e sua mão começou a acariciar meu cabelo. - Senti saudade o dia inteiro! É tão ruim ficar no prédio sem você...
- Mesmo? - Disse manhosa - Pensei em passar lá, mas estava toda atarefada, né?
- Uhum... - Eu estava virada para a televisão, apenas observando as imagens - O que você queria falar comigo, anjo? - Estava cansada. Fechei os olhos, mas continuava escutando-a.
- Recebi uma ligação hoje de manhã, logo depois que você saiu... Não escutava mais nada. Apenas sentia seu colo e sua carícia gostosa. Outras imagens começaram a passar pela minha cabeça, talvez eu teria caído no sono.
Not Like The Movies [pt. 21]
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