Not Like The Movies [pt. 05]

[Parte 05]

Banho tomado, só precisava terminar de passar o hidratante e escolher uma roupa. Phelipe entrou no banheiro e perguntou se eu estava de saída.

- Lembra quando fomos almoçar na terça e eu te disse da modelo novata que conheci na segunda?

- Hm, não lembro dessa parte... Mas continua, amor. 
- Enconstou na pia, me observando.

- A gente se deu super bem e hoje, quando estava correndo, a encontrei na rua! - Fechei o pote do hidratante e fui caminhando para o quarto com a toalha enrolada no corpo. Phelipe me seguia, estava com a camera e ficou me fotografando por trás. Ele tinha essa mania de andar com a camera pendurada no ombro ou no pescoço, tirando foto de todas as ações que eu fazia. Três anos casada com ele, não me importava mais com isso. Entramos no closet, escolhia o look enquanto terminava de contar o que aconteceu - ...e então eu disse que conhecia uma casa de chá maravilhosa e combinamos de ir lá agora no almoço.

- Mas você não gosta de chá. Como pode achar uma casa de chá maravilhosa?

- Tecnicamente, minhas amigas foram lá e gostaram. E eu gosto de chá, tá? Só que, o que eu gosto, pouquíssimos lugares tem...

- Tá bom, tá bom... 


Peguei uma saia de cintura alta florida, inspirada pelo vestido da Lara. Mostrei para o Phe e ele gostou. Fiz minha maquiagem e, já no carro, mandei uma mensagem pra Lara, dizendo que estava chegando.

Estacionei na frente do hotel, por sorte achei uma vaga. Não demorou muito para que ela descesse.
Já no meio do caminho, Lara comentou:

- Sabe... esse carro não combina muito com você, Gi!

- Ah, é? E por quê? 
- Havia um tom divertido nas nossas falas, era como se, perto dela, fosse sempre primavera.

- Por que é muito homenzinho pra alguém como você... - Rimos. - Por que não veio com seu carro? Ainda não tive oportunidade de conhece-lo.

- Está uma bagunça, Lara! Cheio de revistas, embalagem de chiclete... Quando ele estiver a sua altura, quem sabe...


A casa de chá era uma graça! Trabalhada em tons pastéis, música calma, perfeita para passar a tarde.

- Lugar agradável, não acha, Gi? - Lara observava cada canto. Desde o uniforme das garçonetes, até o jeito que as cadeiras foram distribuidas. Logo achamos uma mesa, encostada em uma janela que começava no teto e terminava no chão, dando vista a um lindo jardim.

- Sim, sim. Achei super a sua cara. - Sentei-me do lado da janela, e Lara sentou-se ao meu lado.

- Por que a minha cara?- Olhava pra mim, porém eu não tinha coragem de olhar de volta. Mantinha meus olhos presos no jardim, ou na mesa. Ficar tão próxima da Lara me incomodava um pouco. Não entendi porque ela sentou justo do meu lado, sendo que há duas cadeiras vagas na minha frente.

- Aqui é todo delicado, assim como você.

- Você me acha delicada então?
 - Continuava me olhando, sentia isso.

- Uhum... - Disse timidamente. Situações como essa me deixavam um tanto sem graça.

- Por que não olha pra mim? Minha maquiagem está horrível? Borrada?

- Não, não! 
- Virei-me em sua direção e, mais uma vez, estávamos tão perto como no estacionamento. - Você está... está linda! Eu que não consigo conversar com as pessoas assim, tão de perto... Desculpa.

- Eu troco de lugar, não tem problema, Gi. 
- Enfim, Lara levantou e sentou-se na minha frente, colocamos nossas bolsas do nosso lado e fizemos o pedido.

Lara quis biscoitos de baunilha e uma calda de chocolate à parte. Resolvi experimentar também. Segundo ela, os biscoitos ficavam mais gostosos quando podia desenhar neles, corações com o chocolate.
A tarde passou rápida. Foi divertida. Conversamos sobre as pessoas que passavam na rua, sobre a nossa infância e desenhamos outras coisas, além de corações.


Ficamos umas três horas por lá. Às vezes, durante a conversa, nossos olhares se cruzavam e ficávamos segundos nos olhando, até alguma coisa quebrar aquele transe.
Resolvemos ir embora, fomos direto para o hotel. Ainda havia assunto e parecia nunca acabar! No quarto dela tinha uma pequena sala, um bar e uma cama enorme. Sentei no sofá, enquanto ela ia pegar alguma bebida e ligava o som. O relógio marcava 19:07, o céu estava escuro.

- Estamos desde a tarde juntas na rua. Seu marido não acha ruim? - Perguntou, vindo com uma taça de vinho para mim e para ela. Sentou-se ao meu lado esperando uma resposta.

Phelipe. Quando estava com ela não conseguia lembrar dele como meu marido, mas sempre com uma sensação de ''amigo de quarto''. Depois dessa pergunta, comecei a me sentir culpada. No fundo, eu sabia porque queria ficar sempre perto da Lara, só tentava não acreditar e vê-la só como uma boa companhia.

- Verdade, é melhor eu ir embora. Esqueci de avisar o Phe e talvez ele esteja preocupado, né... - Não, ele não estava. Nunca fomos de cobrar horário um do outro. Nosso casamento era baseado em confiança, amizade e amor. Não sei se amor pode ser incluído, pois, se eu o amasse, não estaria aqui, certo?

- Claro... claro. Te acompanho até seu carro, vou só pegar um casaco. Pegou um qualquer que ainda estava na mala e descemos pelo elevador.

O silêncio estava um tanto constrangedor para mim, então resolvi quebra-lo com uma pergunta qualquer.

- Já conseguiu arranjar um quarto, Lara? - Estávamos sozinhas no elevador. Contava os segundos para entrar no carro.

- Aham! Um casal tem um quarto de hospedes no apartamento, fiz a entrevista e parece que o proprietário gostou de mim. Aliás, lembrei de você naquela hora, pois ele tem o mesmo nome que o seu marido!

- Que ótimo, Lara! Espero que dê tudo certo lá...
 - O elevador, enfim, chegou na recepção.

Nos despedimos e pedi desculpas por estar saindo daquele jeito.
  

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