Além da Eternidαde ‹®› [parte 02]

Xxx: Briguei com meu noivo.
Roberta: Nossa, já começaram o ano assim? 
Xxx: Pois é, imagina como será o resto do ano – Fez uma cara de nojo
Roberta: Ah nada vê! Não acredito nessas coisas, vai de você. – Ela estava linda, usava um vestido branco e em suas mãos segurava suas sandálias.
Xxx: Também não acredito nessas coisas não.
Roberta: Quer se sentar? - Apontei para o meu lado
Xxx: Claro.

Ela se sentou próxima de mim, o vento trazia seu perfume, era delicioso, um cheiro tão agradável, que vontade de senti-lo em seu pescoço, epa! Me deixei levar rs. Me atrevi novamente: Qual seu nome? – Ela me olhou e logo olhou o mar.

Xxx: Thayane, mas pode me chamar de Thay. E o seu?  Thayane, que nome lindo cara. - Pensei.
Roberta: Me chamo Roberta, mas pode me chamar de Beta. – Sorri repetindo o que ela disse. Ela sorriu e ofereceu sua mão para mim.
Thayane: Prazer Beta. – Levei minha mão de encontro a dela e a apertei, sua mão estava um tanto gelada, talvez pelo vento da praia. –Prazer Thay! – Sorrimos juntas.
Roberta: Quer beber? – Mostrei a garrafa de champanhe.
Thayane: Opa demorou! – Sorriu. Com um pouco de dificuldade eu abri a garrafa – na verdade, não levo jeito pra abrir garrafas de champanhe, sou uma negação! 
Roberta: Você tem copos ou taças aí? – Sim, que pergunta idiota.
Thayane: Não costumo trazer copos comigo quando venho à praia – Sorriu debochada e eu sorri com ela.
Roberta: Se importa se for no bico? 
Thayane: Não, por mim tudo bem ou você tem alguma doença? – Ela fez uma careta como se estivesse assustada – Pelo humor dela nem parecia que havia discutido com o noivo.

 Roberta: Que eu saiba não, mas vai saber né? 
Thayane: Eu corro esse risco, preciso beber algo. - Ta com sede? Eu mato ela de outro jeito! – Pensei e logo ofereci a garrafa a ela.
Thayane: O primeiro gole tem que ser seu, ou eu roubo o seu namorado. Na verdade isso vale quando é um pacote de bolachinha, mas eu acho que vale pra bebidas também.

Eu não contive o riso, olha a bobagem que ela havia acabado de falar.

Roberta: Tudo bem, não tenho namorado então não corro esse risco. – Ela pegou a garrafa da minha mão.
Thayane: Sendo assim, tudo bem. – Ela deu um gole enorme, realmente estava com sede. Logo me devolveu a garrafa. – Me fala mais de você, Beta.

Eu peguei a garrafa dela e tomei um gole enquanto a ouvia. - O que quer saber? – A olhei enquanto ela pensava por onde iria começar as mil perguntas.

Thayane: Você mora aonde?
Roberta: Aqui pertinho em um apartamento e você? – Eu aproveitava suas perguntas para saber dela também. Ela novamente pegou a garrafa de mim e foi bebendo.
Thayane: Moro há umas quadras daqui, não muuuuito longe. Tem muitos amigos aqui? 
Roberta: Não muitos. Não faz muito que cheguei aqui. – E ela não parava de beber.
Thayane: Você disse que não tem parentes aqui, é de onde então?
Roberta: Sou de Porto Alegre, sul do Brasil. – Eu acho que ela havia esquecido que eu bebo. Ela me deu um sorriso um tanto malicioso, acho que ela é do tipo fraca para bebidas.
Thayane: Hum, gauchinha então? Bem que dizem que lá as mulheres são muito lindas.  Posso aceitar isso como uma cantada?Pensei e somente sorri. – O que faz da vida? Trabalha, estuda..?  Nossa, como gosta de perguntar! Pensei

Roberta: Sou DJ em uma boate aqui perto. E você?
Thayane: Eu tenho uma empresa de marketing. Trabalha em qual boate? Vou em várias aqui, quem sabe já vi você por aí. – E a champanhe já estava pela metade!
Roberta: Trabalho na boate Mix Sul, conhece? – Rapidamente ela me olhou.
Thayane: É boate gls, certo?
Roberta: É.
Thayane: É lésbica? – Não contive o riso.
Roberta: Não, mas sou bi, algum problema? – Percebi que ela passeou o seu olhar por meu corpo.

Thayane: Não, sou livre de preconceitos.
Roberta: Ótimo! Se importa se eu beber um gole do champanhe? – Ela caiu na gargalhada, já estava bêbada.
Thayane: Desculpe, tome. – Me ofereceu a garrafa. A peguei e tomei um gole. Ela estava inquieta como se quisesse perguntar mais alguma coisa e não demorou muito para que tomasse coragem e perguntasse. – Você tem namorada?
Roberta: Não, sem namorada, sem namorado, sozinha e abandonada no mundo. – Ela riu
Thayane: Besta! – Ela jogou a tampa do champanhe em mim, de leve.
Roberta: E você? Já ficou com meninas?
Thayane: Nunca.
Roberta: Tem vontade, curiosidade, sei lá? 
Thayane: Não sei. Quer dizer, nunca encontrei uma menina que me despertasse essa curiosidade. – Novamente pegou a garrafa de mim
Roberta: Entendo.
Thayane: Você é bi desde quando?
Roberta: Desde uma decepção com um homem.
Thayane: Se fosse assim eu seria lésbica há muito tempo. – Gargalhou novamente.
Roberta: Não foi um homem, foi o homem, o único que amei em minha vida. – Desviei meu olhar para o mar.
Thayane: Não entendo desses negócios de amor, nunca me apaixonei. – A olhei surpresa.
Roberta: Como assim? E teu noivo? – Ela riu
Thayane: Eu não vou me casar por amor. Como eu disse nunca me apaixonei e acho que nunca vou me apaixonar, devo ser anormal ou algo assim. – Sorriu - Vou me casar com ele pelos negócios que nossas famílias têm em comum. Coisa de sobrenome, entende?
Roberta: Casamento é complicado, sem amor complica mais ainda, pode se transformar em um inferno!
Thayane: Eu sei, mas melhor que ficar sozinha.

Roberta: Já eu prefiro ficar sozinha. Antes só do que mal acompanhada. – E o champanhe acabou.

Assim foi nossa madrugada, ficamos conversando sobre tudo um pouco e quando vimos já era quase seis da manhã, o dia já estava querendo clarear.

Thayane: Nossa, preciso dormir um pouco. – Se espreguiçou
Roberta: O papo ta bom, mas preciso ir também. – Nos levantamos, na verdade eu não estava com a mínima vontade de ir embora, mas o sono ia me vencendo aos poucos.

Thayane: Obrigada por não me fazer perder a noite.
Roberta: Que isso, eu que agradeço por ter me feito companhia. – Sorri e logo a vi se aproximando de mim, meu coração disparou, desfiz o meu sorriso, minhas mãos gelaram, eu parecia uma estátua até que senti seus lábios em minha bochecha.
Thayane: Tchau Beta, feliz ano novo. – Sorriu
Roberta: Tchau Thay, feliz ano novo pra você também. – Correspondi ao sorriso, por uma fração de segundos eu havia esquecido como se fala, sim, eu pareci uma idiota sem reação nenhuma. Fiquei observando ela se afastar e ir embora, por fim, fui embora também, meus olhos estavam pesados. Peguei a garrafa de champanhe vazia – Era tudo o que ela havia deixado pra mim – e a coloquei no lixo, guardei apenas a tampa do champanhe - Queria guardar algo de lembrança daquela noite – e fui embora.
Cheguei em meu apartamento e me joguei na cama, até que acordei com o meu celular tocando.

Roberta: Alô. – Falei com voz de sono.
Xxx: Te acordei Beta?
Roberta: Sim, quem é?
Xxx: Oh cabeçuda, é eu, o Chris!
Roberta: Ah! Oi Chris.
Christian: Que empolgação! Passou a noite na gandaia, só pode. – Não contive o riso.
Roberta: Melhor que isso.

Christian: Depois quem não presta sou eu! – Ele sorriu – Liguei pra te convidar pra ir em um churrasco na casa de um amigo, a galera vai ta em peso, você vai curtir.
Roberta: Que horas?
Christian: O rango vai rolar tarde, mas vamos cedo pra lá pra curtir a piscina, dar uma ‘pescada’, ta ligada Beta? – Sorriu cheio de malicia – Essa ‘pescada’ nada mais era do que caçar uma ou algumas pra ficar. 
Roberta: To. – Sorri
Christian: Vamos fazer assim, vem aqui no meu apartamento e a gente vai juntos. Pega um táxi até aqui, daqui uma meia hora, beleza?
Roberta: Ok, em meia hora eu to chegando aí.
Christian: Falou, beijo na bunda! – Ele desligou.

Roberta: Beijo na bunda? Mereço! – Resmunguei sorrindo e fechei meus olhos novamente. - Opa, melhor levantar ou perco o horário - Levantei, tomei um banho, preparei um sanduíche pra mim com um copo de Pepsi e fiz meu lanche enquanto chamei um táxi. Não demorou muito e ouvi a buzina do táxi, peguei minha bolsa e corri até ele. Eu estava tomada pela preguiça, em 10 minutos ou nem isso cheguei ao apartamento de Chris, paguei o táxi e entrei no prédio. Logo de cara me deparei com ele, estava terrivelmente terrível me encarando e esperando alguma reação minha, ele me olhava de um jeito assustador – Como sempre – O encarei do mesmo jeito e me aproximei dele, mas mais uma vez não tive coragem de entrar no elevador! Sim, eu tenho pavor de andar sozinha de elevador. E resolvi ir pelas escadas mesmo, afinal, eram só 5 andares! E assim eu encarei as escadas, subi sem pressa pra cansar mais devagar, alguns minutos depois cheguei ao bendito apartamento, toquei a campainha e esperei alguém abrir a porta.
   

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