[Parte 06]
Se não é como nos filmes, isso é como deve ser. Quando for finalmente o único, meu mundo vai parar de girar, e isso é apenas o começo.
O final do sábado foi resumido em: pensar nos meus atos, nos meus objetivos e dormir. Dormir até o mundo acabar, se possível.
Fui uma boa aluna no colégio, fiz a faculdade que sempre sonhei, casei com um homem perfeito e meu emprego é melhor que eu esperava. Alcancei praticamente todos os meus objetivos, mas ultimamente estou colocando minha fidelidade ao Phelipe em jogo e todas as minhas outras estabilidades por causa de uma garota que não tem nada construído ainda! Por que?
Acordei tarde, na hora do almoço. Vestida com o roupão, caminhei pela casa à procura de Phelipe. Ele estava na cozinha preparando alguma massa. O abracei por trás, beijando seu ombro.
- Já disse como você fica sexy na cozinha, amor? - Disse, fechando os olhos, encostando a cabeça nas suas costas.
- Uau! O que aconteceu ontem? - Perguntou num tom divertido.
- Nada... Aliás, a casa de chá é super agradável, Phe! Uma hora te levo lá, acho que você vai gostar. - Virei-me, indo até a geladeira e pegando um suco de laranja. Estava quente demais pra tomar chocolate.
- Amor, tá tudo bem com você? - Perguntou Phe, de costas pra mim.
- Claro, por que? - Céus! Será que ele percebeu alguma coisa?
- Está um pouco distante, mas deve ser a revista, né? Esse mês está sendo corrido e--
- Sim, sim... É a revista! Você sabe, mês que vem estará tudo normal! - Senti um alívio enorme por ter como jogar o motivo da minha falta de atenção na revista.
Almoçamos um macarrão horrível! Phelipe sempre ia cozinhar baseando-se em receita que achava na internet, e nunca a seguia corretamente. Costumava exagerar nuns pontos e relaxar noutros. Não sei como ainda tenho coragem de comer o que ele faz... Rimos do seu desastre culinário e conversamos sobre a semana da moda. Estávamos ansiosos, mesmo assim não era nada que já não tinhamos vivido!
Em poucas horas arrumamos nossas malas, Phelipe deixou a cópia da chave para a nova hospede na portaria e seguimos direto para o aeroporto.
O voo do Phelipe saiu mais cedo que o meu, já que ele iria cobrir a semana de moda da Noruega. Fui até o balcão da companhia aérea, iria à França, e comecei a fazer o check in. No meio do procedimento, a funcionária recebeu uma ligação dizendo que a minha passagem foi cancelada há três dias.
- Como assim há três dias? Deve ter algum engano! - Esses tipos de coisa que me tiravam do sério. Deveria ser alguma brincadeira, só pode...
- Não é um engano, senhora. Esta passagem foi cancelada há três dias pelo responsável financeiro. - O que me restava era ligar para o meu chefe.
Saí do check in, indo para qualquer restaurante esperar pela resposta do editor. Sem demorar muito, ele retorna a ligação.
- Giovana, desculpa, a minha nova secretária esquece às vezes de dar certos recados, como este.
- Como assim ''como este''? Eu não vou mais viajar, é isso?
- Você está lá todos os anos--
- POR ISSO MESMO! ESTOU LÁ TODOS OS ANOS, COMO ME CORTARAM DESSA SEMANA? - Estava inconformada. Meu tom de voz estava alto e algumas pessoas que passavam não disfarçava o olhar.
- Desculpe-me por estar te avisando agora, Giovana...
Ótimo, tanta preocupação pra nada! Queria chorar, estar na minha cama e ligar para o Phelipe voltar. Droga, droga, droga!
Desliguei o telefone, respirei fundo e tentei me acalmar. Brigar com meu chefe pelo telefone e ainda no aeroporto, não seria a solução...
Not Like The Movies [pt. 06]
16:00 |
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