Branca de Neve disse quando eu era jovem, "Um dia meu príncipe virá". Então eu espero por aquele encontro.
A semana passou rápida, até. Lara me acompanhava todos os dias e, sobre esquecer o que aconteceu... Bom, ficamos mais vezes, mas ainda não havíamos dormido juntas. Combinamos que eu iria falar com o Phelipe, não sabia o que estava fazendo, mas acho que precisava de uma mudança na minha vida, algo que não estav nos meus planos. Talvez era por essa aventura que eu me encantei tanto pela Lara.
Era domingo à tarde, estávamos em casa, esperando o Phe chegar.
- Gi, o que eu sou pra você? - Não esperava por essa pergunta. Ela estava deitada no meu colo, assistíamos qualquer coisa na televisão.
- Como assim, amor?
- Tem certeza que vai terminar com o Phelipe? Jogar anos de casamento por uma garota que acabou de conhecer e não tem nada? - Virou, olhando pra mim, mas ainda deitada.
- Essa garota que acabei de conhecer, tem alguma coisa sim. Ainda não sei, mas ela tem. Lara, se eu realmente amasse o Phe, não teria me envolvido com você.
- Então você me ama? - Sorriu. Não sabia o que dizer. Não que eu não a amava, mas... Era muito cedo. Em anos de casamento, nunca disse que amava o Phe. Sempre quis guardar isso para a pessoa certa.
O celular tocou. Não respondi sua pergunta e fui atende-lo. Era o Phe dizendo que tinha chegado e que estava tudo bem. Em alguns minutos estaria aqui.
Acabei mudando de assunto. Conversamos sobre um assunto qualquer, e ela não pareceu chateada por não ter respondido-a.
A conversa foi rolando até a campainha tocar. Era ele. A única coisa que eu ainda não tinha certeza, era se falava com ele hoje, ou amanhã. Ou outro dia. Lara foi abrir a porta enquanto eu continuei sentada no sofá. Phelipe entrou todo sorridente e cansado.
- Oi, querida! - Largou as malas na porta e veio em minha direção, me abrançando forte. Encostei minha cabeça em seu peito, e num segundo, tudo o que eu vivi com ele passou pela minha cabeça e a minha dúvida tinha companhias. Eu deveria mesmo fazer isso com ele? - Senti TANTA a sua falta!
- Eu também, Phe... Eu também.
Matamos nossa saudade, criei mais dúvidas, Lara percebeu a minha insegurança e evitou ao máximo ficar perto da gente.
Phelipe pegou suas malas e levou para o quarto, despejando todas as roupas em quatro cestas, as quais iriam para a lavanderia. Conversamos sobre sua viagem, no quanto ele estava feliz... O Phe estava muito feliz. Não seria egoísmo meu terminar tudo agora e ver toda essa euforia ir por água abaixo? Talvez sim. Ele perguntou como foi a semana com a Lara, e resumi em duas palavras: Foi ótimo.
Phelipe não passou muito tempo acordado, seus olhos, seus bocejos... Seus sinais de ''preciso dormir'' eram tão visíveis. Enquanto ele dormia, fui para o quarto da Lara.
- Ei, amor... - A chamei, abrindo a porta. Ela estava deitada de bruços, com a cabeça afogada no travesseiro e com fones bloqueando qualquer outro tipo de som além da música alta. Entrei no quarto e deitei em sua cama, ao seu lado. Permiti-me tocar suas costas, fazendo uma leve carícia. Imediatamente, ela olhou para mim, estava com os olhos vermelhos e não sabia o porquê. - Que foi, meu anjo? - Retirou seus fones, mas percebi que ela pode ler meus lábios.
- Você não vai terminar com ele, Gi. Eu sei que não...
- O que te faz pensar nisso? - Perguntei, enquanto acariciava sua pele, enquanto meu coração ficava apertado ao ve-la daquele jeito.
- Eu notei o jeito que você o abraçou. - Ela sentou-se na cama, ficando de frente pra mim. - Eu já passei por muito nessa vida. Parece até mentira, aliás, eu tenho só 19 anos... Mas eu só queria alguma coisa que continuasse - Algumas lágrimas começaram a descer pelo seu rosto. Ela tentava limpa-las, porém estavam vindo acompanhadas de outras, cada vez mais. - Não queria ficar começando várias vezes...
- Eu não vou te abandonar! Calma, meu amor... - A puxei para um selinho demorado, deixando suas lágrimas partirem para o meu rosto e assim sentir mais dela em mim.
A Lara é, definitivamente, uma caixinha de surpresa. A cada dia, presencio uma parte dela que, até então, era totalmente desconhecida. Às vezes tão corajosa, outras tão frágil... Com o passar do tempo, com a convivência, a queria tanto para mim como nunca quis outra pessoa.
Deitamos em sua cama e a fiz dormir em meus braços. Parecia uma criança, e me senti na obrigação de protege-la. Dormimos com nossos corpos colados, abraçadas.
Not Like The Movies [pt. 11]
17:05 |
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