Há um tempo que não tocava mais nesse assunto, no seu nome. Cheguei em casa sem querer falar com ninguém. Phelipe sairia com uns amigos mais tarde, me deixando sozinha no nosso quarto.
Estar com ele já fazia parte da rotina, talvez por isso não terminei antes. Peguei minhas malas no canto do quarto, abrindo-as sobre a cama. Sem pressa, colocava minhas roupas com cuidado dentro das malas. Nunca reparei em quanta roupa eu tinha! Enquanto isso, peguei meu celular, ligando para um hotel e fazendo a minha reserva para hoje à noite ainda.
''Precisamos conversar, estou no Four Seasons.''
Deixei este bilhete do lado da cama. Ele chegaria tarde e eu não queria atrapalhar a hora que ele estava tendo com os amigos. Para a Lara, mandei uma mensagem dizendo que ia terminar com o Phe. Cinco minutos depois, ela ligou.
- O que você tá fazendo, Gi? - Parecia preocupada.
- O que você me pediu, oras. Estou fazendo isso por mim também...
- Você tem certeza do que está fazendo?
- Eu tenho, por quê?
- Só não quero que se arrependa depois, meu amor. - Meu amor. Não era a primeira vez que ela me chamava assim, porém fazeia tempo que eu queria ouvir isso dela. - Vou ter que desligar, meu intervalo acabou e tenho mais fotos pra fazer... Nos falamos mais tarde?
- Mais tarde o Phe vai vir. Deixei um bilhete no quarto, e quando ele ler vai querer saber o que está acontecendo. Me procura depois, tá? E se o Phe te perguntar alguma coisa, diz que não sabe de nada.
- Por que, Gi? Ele sabe que somos amigas--
- Não fala nada, Lara! Só isso que te peço.
- Tá bom então... Quando a gente puder se encontrar, me liga, vou estar esperando.
Desligamos. Eu já estava dirigia para o hotel, pensando em cada palavra que diria para o Phe. Estava agindo por impulso. Não era certo agir assim, mas se não for agora, não vou conseguir fazer isso depois.
Já era madrugada quando Phelipe chegou no hotel. Pedi para a recepcionista que o deixasse entrar. Estava cansada, odiava ser acordada no meio da noite, por qualquer coisa.
Deixei a porta encostada e me sentei num sofá, esperando-o. Phelipe não demorou muito. Mal tinha passado pela porta e eu já sentia seu cheiro de bebida. Era sempre assim quando saía com seus amigos, porém raramente o encontrava neste estado.
- Vamos pra casa, Giovana. Lá a gente conversa... - Disse entrando no quarto, vindo na minha direção.
- Não, eu não vou. Vamos conversar aqui, Phe.
- Eu já vivi essa cena uma vez e não quero repetir os meus atos. Vamos! - Pegou um dos meus braços com força e me levava para a porta.
- Me solta, Phe! Eu não te quero mais e dessa vez é sério! - Com dificuldade, soltei meu braço e recuei alguns passos. Ele se virou, olhando nos meus olhos.
- Antes era aquela vadia da Roxanne... Agora é a Lara... - Me cortava por dentro quando ele falava desse jeito sobre a Ro, ainda mais com a Lara no meio. Provavelmente ele já desconfiava desde o começo. A nossa amizade, a sua semelhança física com a da Roxanne... - NÃO CANSA DE FODER MODELO, NÃO? - Gritou. Fechei meus olhos por impulso e trouxe meus braços para mais perto do meu corpo. Andava para o canto do quarto, me encolhendo. Era a segunda vez que o via assim. Deste eu tinha medo, não era o que eu conhecia.
- Phe... - Tentava segurar as lágrimas, mas estava ficando impossível - Não torne tudo mais difícil, por favor!
- Eu estou tornando difícil? EU, GIOVANA?
De novo. Phelipe perdeu a pouca paciência que tinha e me jogou na cama. Agrediu-me até os seguranças do hotel o expulsar de lá. Meu copo doía, as lágrimas não paravam de descer pelo meu rosto. Peguei meu celular e liguei pra Lara. Eu precisava tanto dela! Encolhida na cama, foram três tentativas seguidas até ela atender.
- Oi, meu amor! - Disse animada. Tentava abafar o choro no travesseiro, mas logo ela perceberia que tinha algo de errado só pela minha voz.
- Onde você tá, Lara? - Disse pausadamente.
- Tô saindo da redação agora, indo pro apartamen--
- NÃO VAI PRA LÁ! - Phelipe não poderia encontrar com ela agora, não nesse estado.
- Ei, o que foi? O que aconteceu? Tá no hotel?
- Aham... Vem pra cá, por favor! - Não aguentava mais segurar. A dor era forte, principalmente nos meu braços e no meu pescoço. O choro aumentou só de pensar no que o Phe poderia fazer com ela.
Desligamos e ela já estava à caminho. Avisei na recepção a entrada livre dela. Agora era só esperar.
Not Like The Movies [pt. 16]
17:43 |
Assinar:
Postar comentários (Atom)






0 comentários:
Postar um comentário