Not Like The Movies [pt. 04]

[Parte 04]



- Nada... - Controlei o riso e tentei falar mais sério, respirando fundo - Só que... Bom, o seu carro está na minha vaga!

- Sério?!

- Aham... A minha placa está bem na frente do seu carro... 
- Voltei a rir. Raramente isso acontecia. Quem estacionaria numa vaga onde tem uma placa ''Vaga do editorial: Giovana Palermo.''? Ela, sem ter acreditado que não viu a placa, foi ver se havia mesmo uma lá.

- Nossa, desculpa! - Veio em minha direção com as mãos no rosto, estava super envergonhada, e nem dava pra esconder isso. Suas bochechas ficaram avermelhadas e sua pele branca não ajudava.

- Não tem problema... Eu não me importo muito com isso, o carro do Phelipe tá em outra vaga... Relaxa! - Estava divertida aquela cena. Aproximei-me mais dela, retirando suas mãos do rosto, mergulhando mais uma vez naqueles olhos. Estávamos tão perto uma da outra que conseguia sentir sua respiração!

- Até outro dia... - Sussurrou, me despertando daquele transe. Seu hálito quente encostou nos meus lábios, e na mesma hora, queria provar mais. Ainda segurava suas mãos, até ela deslizar a ponta dos dedos nos meus braços e me dar um beijo no rosto. Sorri e retribui.

Em poucos minutos ela entrou no carro e partiu. Voltei à minha sala e comecei a ver suas fotos. Não conseguia ver aquele material como profissional, para mim todas estavam boas e todas deveriam ir para à revista. Não estava conseguindo avalia-las. Peguei umas aleatórias e mandei para o editor chefe. A aprovação dele não demorou muito, mas resolvi fazer esse editorial em outro dia, hoje realmente não dava, não seria nada profissional.
Ainda tinha mais cinco horas até voltar pra casa e encontrar o Phe. Acabei focando a minha atenção em outra coisa, e fiquei um bom tempo sem pensar nela. Aliás... Eu nem sei o seu nome! Liguei para o Estevam, perguntando sobre e... Lara.


Eu não senti a sensação de conto de fadas, não. Seria eu uma garota estúpida por sequer sonhar que eu poderia?
A semana passou num piscar de olhos. Quase não vi o Phelipe! Fomos almoçar juntos na terça e na quarta-feira. Depois, só consegui ve-lo quando chegava em casa, e ele ainda estava dormindo. Estava toda atarefada que nem deu tempo de sequer pensar em outra coisa a não ser trabalho.
Passei umas coisas que eu deveria fazer no fim de semana para o estagiário. Estava me dando esse descanço já que, na próxima semana, seria pior.

- Amor, esqueci de te avisar... Lembra aquele anúncio que fizemos no jornal pra alugar o quarto de hospedes? - Fiz um sinal para que ele continuasse - Então, como você estava ocupada a semana toda, uma garota veio aqui e fiz a entrevista com ela. 19 anos, modelo e acabou de se mudar. Aliás, ela já até trabalhou na revista!

- Ah é? Eu conheço? Você já trabalhou com ela? 
- comentávamos sobre isso no café da manhã de sábado. Só nos fins de semana que a gente comia em casa. Mal sabíamos cozinhar!

- Nunca trabalhei com ela, e não sei se você já... Aliás, nunca a vi por ali! Acho que o nome dela é... Laura, Nara... Alguma coisa assim.

- E quando ela vem?
 - Não estava nem um pouco ansiosa para conhece-la. Deveria ser uma bem blasé. Não come nada e nem sai do quarto. E se sai, é pra ir à baladas ou estúdio... Tão fúteis!

- Combinei com ela na segunda-feira. Deixarei uma cópia da chave na portaria, e como a gente vai estar trabalhando nesse horário, ela vem e arruma as coisas dela numa boa.

- Você confiou mesmo nela, hein... 
- Phelipe não era muito de confiar nas pessoas. Outro com poucos amigos, feito eu. Quando a gente se dava bem com alguém, era aquela coisa: uma vez na vida, outra vez na morte.


Após o café da manhã, vesti um short, regata e tênis de corrida. Assim eu passava as manhãs do meu sábado e domingo: correndo pela cidade. Odiava encontrar as pessoas neste estado. Simplesmente porque não usava maquiagem e ficava toda suada... Enquanto descia pelo elevador, prendia meu cabelo num rabo de cavalo bem alto. Escolhia uma playlist mais animada e que durasse em torno de duas horas. Evitava sempre passar pelas ruas mais movimentadas, preferia correr nos bairros residênciais, já que eram vazios e extensos.
Uma hora e meia se passaram, eu já me encontrava no ápice do horrível quando, numa rua preenchida por casas pequenas e fofas de tijolos, encontrei Lara. Estava vindo em minha direção, com um vestido florido que não passava dos joelhos e calçando rasteirinhas. Linda. Parei aos poucos, retirando os fones de ouvido e largando sobre os ombros.

- Ei, o que faz por aqui, Gi? - Perguntou com um sorriso espontâneo estampado no rosto.

- Correndo... Tentando me manter em forma, né... Mas tá difícil! -Rimos juntas - E você?

- Antes de tudo, você tá super em forma, tá linda! 
- Estranho como as palavras dela conseguiam me atravessar... Nem com Phelipe era assim! - Estava procurando algum lugar que venda chá, porém não achei nenhum e agora estou perdida... Não sei como voltar para o hotel!

- Conheço uma casa de chá, minhas amigas dizem que lá é maravilhoso... Nunca fui, mas podemos ir juntas, que tal? 
- Aceita, aceita, aceita, aceita, aceita...!

- Claro! Quando você estará disponível?

- Estou com o dia livre... Se quiser, eu volto pra casa, tomo um banho e podemos ir almoçar lá!

- Ótimo, ótimo! Mas... Bom, tem como me buscar no hotel? Meu senso de direção é péssimo... 
- Ficou com o rosto avermelhado, toda envergonhada, toda linda.

- Está em qual hotel, querida?

A levei para o hotel e fui direto pra casa. Tinha roupas para escolher, e não poderia ser qualquer uma...
 

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