Além da Eternidαde ‹®› [parte 7]

Já haviam se passado 25 minutos desde que Fernanda havia me ligado, logo ela estaria passando aqui pra me buscar. Resolvi esperá-la la em baixo, não demorou muito e ela já estava estacionando seu carro em frente ao meu prédio. A cumprimentei com um beijo no rosto e fomos conversando sobre a semana que passou até chegar à boate, era pertinho dali. Logo que chegamos escolhemos uma mesa e pedimos algo pra beber. A boate estava lotada e não era nem meia noite ainda. Fernanda era uma ótima companhia – Confesso – era bem humorada, madura, sempre tinha um assunto novo, mas nada me fazia perder a vontade de estar com a Thay, por vezes pensei em dar alguma desculpa pra ir embora e fugir pro apartamento da Thay, mas não conseguia pensar em nada convencível. Dancei umas quatro músicas com a Fernanda e logo nos sentamos de novo. Estava muito quente, resolvemos pedir outra bebida enquanto descansávamos um pouco.

Depois de quatro cervejas eu já estava rindo de qualquer coisa, falando safadezas, dançando sentada, em outras palavras, bêbada. Fernanda havia saído pra dar um telefonema e eu fiquei a esperando, olhei em direção ao balcão tentando pensar em alguma outra bebida pra pedir até que vejo uma loira encostada nele, não muito alta, com um corpo todo desenhado e pelo jeito estava sozinha. – Ah se a Fernanda não estivesse comigo. – Fiquei observando aquela loirinha até que consegui ver o rosto dela, era ninguém menos que a Thay. – O que ela ta fazendo aqui? – Logo reparei que a Angel estava com ela. – Aposto que vieram dançar. – Sorri sozinha. Mas elas não estavam sozinhas, Angel trazia outra menina e a apresentava pra Thay, fiquei observando tudo até que a Fernanda voltou. Disfarcei um pouco, mas continuei observando Thay de longe, havia algo que eu não estava gostando entre as três. Eu tentava conversar normalmente mas meus olhos não desviavam daquele balcão.

Eu sorria pra Fernanda não perceber nada, Angel agora deixava Thay e a outra menina sozinhas – Tudo bem, ela vai buscar uma bebida ou ir ao banheiro. - logo desfiz meu sorriso ao ver Thay e a menina se beijando, uma raiva tomou conta de mim em uma fração de segundos. Desviei meu olhar pra não ver aquela cena ridícula e me levantei da mesa.

Roberta: Já volto, vou ao banheiro. – Saí de perto da Fernanda rapidamente e fui ao banheiro, chegando lá apoiei minhas mãos na pia e fiquei me olhando no espelho relembrando o beijo que eu havia acabado de presenciar. – Pelo jeito ela gostou de ficar com meninas. – Molhei um pouco minha mão e passei em minha nuca. – E daí que ela ta ficando com outra menina? Talvez nem seja a primeira depois de mim. – Forcei um sorriso pra mim mesmo, mas quanto mais eu pensava, com mais raiva eu ficava e tudo que eu precisava naquele momento era de uma bebida extra forte. Sai do banheiro e vi Thay agora conversando com a tal menina, por impulso me aproximei delas.

Roberta: Que surpresa te ver por aqui Thayane. – Rapidamente ela virou pra mim bastante surpresa.
Thayane: Beta, você por aqui?
Roberta: Pois é. Eu mesma. – Forcei um sorriso. A menina que estava com ela percebeu um clima tenso entre a gente e deu a desculpa de que iria ao banheiro e já voltava.
Thayane: Ta tudo bem com você? – Ela estava séria e tensa.
Roberta: Ta e com você? Pelo visto tudo ótimo! – Sorri.
Thayane: Não entendi o que quis dizer.
Roberta: Pelo jeito você gostou mesmo de ficar com meninas.
Thayane: Você viu o... - A interrompi.
Roberta: O beijo de vocês duas? – Sorri irônica – Vi sim.
Thayane: Olha Beta... - A interrompi novamente.


Roberta: Não Thay, tudo bem, você tem mesmo que aproveitar. Como eu disse, aproveita e fica com meninas já que teu namorado ta longe, não é bem traição não. Eu fui a primeira, mas sei que não serei a única. – Sorri – Eu só dei coragem pra você ver que não tem nada de tão errado nisso. Eu sei de algumas boates gls muito boas, quando precisar me procure ok? Bem, preciso voltar agora, boa balada. – Dei as costas a ela.
Thayane: Beta, espera.
Roberta: Beijo Thay. – Andei um pouco entre as pessoas e logo voltei a mesa com a Fernanda.

Fernanda: Nossa, que demora gatinha.
Roberta: Desculpa. – Forcei um sorriso.
Fernanda: Tudo bem Beta?
Roberta: Ta sim, por quê?
Fernanda: Você ta diferente, parece menos animada. Será que a bebida te fez mal?
Roberta: Não. – Sorri com sua preocupação – Deve ser impressão sua. – Olhei novamente em direção ao balcão e agora Thay e Angel estavam conversando, logo chegou a menina e abraçou Thay por trás. Desviei meu olhar porque a raiva já tomava conta de mim outra vez. Pedi outra bebida e outra e mais outra. Eram quatro horas da manhã e eu estava muito bêbada que nem conseguia me equilibrar em pé. Fernanda passou meu braço por cima do seu ombro, me abraçou pela cintura e eu cai no sono.

13h30min: Comecei a abrir meus olhos aos poucos, pelo jeito que a claridade invadia meus olhos dava pra perceber que já era dia, olhei no relógio e marcava 13h30min. Minha cabeça doía muito e eu não lembrava de nada, absolutamente nada. Peguei meu celular no criado-mudo e vi que tinham 11 chamadas da Fernanda, resolvi ligar de volta.

Fernanda: Oi Beta. – Ela falava baixo, mas pra minha dor de cabeça parecia que ela estava gritando.
Roberta: Oi Nanda, tudo bom?
Fernanda: Tudo. E você, melhorou?
Roberta: Melhorei do que?
Fernanda: Do porre que você tomou. Tive que te levar em casa, tirar sua roupa, te dar um banho e colocar você pra dormir. – Olhei meu corpo e eu estava nua.
Roberta: Oh Nanda, me desculpe, exagerei na bebida ontem. Nossa, que vergonha.
Fernanda: Tudo bem. – Ela sorriu - Te perdôo com uma condição. – Eu sorri agora.
Roberta: Qual?
Fernanda: Que você aceite jantar comigo hoje.
Roberta: Oh Nandinha, não vai dar. Hoje vou tocar na Mix Sul, preciso ir cedo pra lá pra ajeitar os equipamentos.
Fernanda: Podia ao menos me convidar pra ir te ver né? – Sorri novamente
Roberta: Claro, faço questão que você vá.
Fernanda: Perfeito. Até a noite gatinha.
Roberta: Até a noite. – Desliguei.

Minha cabeça estava me matando, coloquei uma roupa e fui me arrastando até a cozinha procurar algum remédio pra dor de cabeça até que achei um paracetamol. – Olha o tamanho disso, cara! – Larguei o comprimido na pia, peguei uma faca e o cortei no meio. – Ainda ta grande, não vai passar. – Cortei ele em mais dois pedaços, enchi um copo com água e o engoli. Voltei pra cama e aos poucos fui lembrando de tudo – ou quase tudo – que havia acontecido na noite passada. A Thay com a menina, o beijo delas, o abraço que a menina havia dado nela – Impressionante como a gente sempre se lembra do que não deve nessas horas – E a raiva tomou conta de mim mais uma vez. – E daí que elas ficaram? Eu tenho a Fernanda, eu tenho o mundo, pra que ficar me martirizando pensando nisso?! – Por mais que eu não entendesse bem, isso me deixava um pouco mal. A tarde passou rápido, logo me levantei, tomei um banho bem gelado pra curar o que havia restado da ressaca da noite passada, arrumei meus equipamentos, me arrumei e fui pra Mix Sul.

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